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Para chamar o síndico

Por conta própria, o morador do 301 instala o ar-condicionado em uma parede que não estava preparada para isso, o vizinho do 115 abre uma linda cozinha americana e o do 603 instala o sonhado ofurô no terraço. Cada uma dessas pequenas obras, isoladamente, tem potencial para abalar a estrutura do edifício e, juntas, podem até derrubá-lo.

 

Desde o dia 18 de abril, estão valendo novas regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para reformas em apartamentos, casas ou salas comerciais de prédios e condomínios. Agora, é preciso um documento - Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), no caso de um engenheiro, ou um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), expedido por um arquiteto - no qual conste um cronograma do que será feito, tempo estimado do trabalho e materiais a serem utilizados.

 

A iniciativa de propor diretrizes partiu do Sinduscon-SP após o desabamento do Edifício Liberdade, no Rio de Janeiro, em 2012, com 22 mortos, e da queda parcial de um prédio no Centro de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, devido a reparos irregulares, no mesmo ano.

 

O maior diferencial desse regulamento em comparação às regras já existentes sobre o tema é o de que os reparos nas unidades dependerão do aval do síndico. Com base no parecer do especialista, ele poderá autorizar, fazer ressalvas ou proibir a reforma, caso entenda que a intervenção poderá colocar em risco a edificação.

 

- Nesse caso, surgem dúvidas. Qual é a capacidade que o síndico, como leigo, tem para aprovar ou não um laudo desse tipo? E se o morador tiver o projeto, mas o arquiteto ou engenheiro contratado pelo condomínio não aceitar? Aí que começa a confusão - destaca o advogado Alexandre Marques, consultor do portal SíndicoNet.

 

Porta-voz da máxima "pequenos descuidos, grandes acidentes", o engenheiro civil Luiz Alcides Capoani, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio Grande do Sul (Crea-RS), lembra que, apesar de a norma não ser lei, o juiz irá considerar o documento em caso de uma ação judicial por problemas que vierem a ocorrer por conta de uma obra malsucedida.

 

A implementação da nova regra irá acrescentar custos às reformas. Segundo a engenheira de Segurança do Trabalho e Gerenciamento Ambiental, Maria Regina Pereira Buss, os valores cobrados dependerão do serviço a ser executado e do profissional contratado.

 

- Mas que fique claro: quem assina o documento, não necessariamente precisa ser aquele que executará o trabalho - explica Maria Regina.

 

Para a engenheira civil e decoradora Rosane Dulinski, o grande ponto da mudança proposta pela ABNT é o alerta para a sociedade dos perigos que um reparo malfeito pode acarretar:

 

- As pessoas acordaram para esse fato. Se ouvirem um barulho de obra no vizinho, vão querer saber do que se trata, vão denunciar se não estiver de acordo com as normas. É como exigir a nota fiscal, que é um direito seu mas, não se tinha o hábito de pedir.

 

Desde que comprou o apartamento, há dois anos, a administradora de empresas Sandra Lemchen Moscovih já pensava em integrar a sacada ao ambiente de estar. Ciente de que não seria uma obra simples, seguiu as normas mesmo antes de conhecê-las: contratou um profissional, pediu o aval da síndica (que, por coincidênica, é também arquiteta) e só então começou a quebradeira.

 

- Eu sabia que não seria pouca coisa, por isso precisei me organizar, pedi um projeto a um arquiteto e estamos seguindo o que foi acertado na convenção do condomínio. Nosso prédio é organizado, tem até uma comissão para obras.

 

Pequenos reparos que você pode fazer sem parecer de um engenheiro ou arquiteto:

- Pintar paredes e forro 

- Colocar gesso no teto

 

- Colocar divisórios de gesso ou MDF

 

- Substituir fechaduras ou portas

 

- Trocar o piso laminado por outro semelhante

 

- Trocar o azulejo sem uso de máquinas que abalem as estruturas. 

FONTE: Excertos de matéria de Zero Hora
PUBLICADO EM 26/08/2014
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